Mal como distância de Deus

A distância insuportável de Deus em Mechtild de Magdeburg

Drª Maria José Caldeira do Amaral

Este ensaio tem como objetivo propor uma discussão sobre o mal que Mechthild de Magdeburg, mística medieval, beguina do século XII, relata como a experiência da alma que ama na distância insuportável de Deus, condição da alma “pior que descer ao inferno”, a partir do conceito de mística como experiência direta da presença de Deus, extraído de sua obra Das FlieBende Lichit der Gottheit.

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O Mal no Cristianismo Ortodoxo

Doutorando Roberto de Almeida Gallego

Pretende-se enfocar o problema do Mal no âmbito do Cristianismo Oriental: a recusa do dualismo cósmico, do dualismo antropológico e do dualismo moral, e a ênfase no pecado – o livre consentimento do ser humano ao Mal. Ascese e vigilância do coração em busca da hesychia: a luz tabórica e a experiência das energias de Deus.

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O visão do Mal segundo a Philocalia dos monges népticos do Oriente

Doutoranda Wilma Tommaso

Os népticos são monges que se abandonam à vida ascética, no entanto, têm como preocupação maior a sobriedade e a vigilância. A primeira etapa da vida espiritual é a prática (práxis) que visa libertar o homem das paixões e torná-lo capaz de amar. Diante da angústia da morte ou da sua negação, o ser humano se depara com o primeiro empecilho. Porém, a ganância – a ambição exacerbada – e o orgulho – a vanglória do espírito – são os dois demônios mais poderosos que se opõem à práxis, às obras do amor. Será apresentada a visão do mal na philocalia dos monges népticos passando pela lente atual de Olivier Clément e Jacques Touraille e dos escritos dos Pais do Deserto.

“Satan est tombe et s’est brisé, mais notre néglicence ne l’en rend pas moin fort et il s’enorgueillit de nous.” (Gregoire Le Sinaïte)

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Marta-Maria: Fendas de uma desfiguração

Doutoranda Carla Saudades Lloret

Neste texto, o Mal é abordado nos domínios da aparência, com o intuito de pensar a fotografia contemporânea, acolhida nos desdobramentos de uma zona de opacidade possibilitadora para o acontecimento da obra. Partindo da poética visual de Marta Maria Perez Bravo, artista cubana que vive no México, o conceito heideggeriano de aletheia irá permear esta discussão, em sua dimensão ocultante-desocultante, enquanto retenção que se encobre para o que se apresenta, se mostra. Vela-se na presença que faz emergir, e desvela-se enquanto retração, subtração, nesse mesmo lugar. O conceito de Parmênides de “vislumbre”, no ver a partir de dentro do ser, transpondo o ordinário para o extraordinário enquanto lugar do contemplar, será apropriado para enriquecer esta reflexão, ao aproximarmos a condição apofática eckhartiana presente nas imagens da artista.

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O Mal no Real

A estupidez do Mal

Mestrando Martim Vasques da Cunha

A apresentação pretende introduzir a discussão que o filósofo alemão Eric Voegelin (1904-1985) fez a respeito do evento histórico do Nazismo, dentro do ciclo de palestras chamado “Hitler e os alemães”, realizado em 1964, em que são expostos os conceitos de “estupidez inteligente” e “estupidez criminosa” como exemplos concretos do Mal no século XX.

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Rosa Branca – Resistência e liberdade na Alemanha nazista

Doutoranda Marli Pirozelli N. Silva

O que permite resistir ao mal? A trajetória de alguns jovens do Grupo Rosa Branca que se opuseram ao nazismo através da divulgação de panfletos. Da percepção e fortalecimento da própria humanidade, através da beleza, amizade e religiosidade, ao enfrentamento do mal até a morte.

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A massa como instrumento do Mal

Mestranda Ana Enésia Sampaio Machado

Falaremos sobre os escritos de Viktor Frankl a respeito da neurose de massa. O foco de estudo será o indivíduo que, como parte de um grupo, age como opressor ou destruidor do outro em nome da construção de um mundo mais justo.

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Modernidade, Mal e Condição Humana

As tentações de Jesus e a modernidade

Doutorando Diego Klautau

No capítulo 02 de seu livro Jesus de Nazaré, Joseph Ratzinger trabalha com as tentações de Jesus pelo demônio e os fundamentos da modernidade em sua afirmação do homem como ser que dispensa Deus. A partir dos conceitos das concupiscências, desenvolvidos por Santo Agostinho em A Verdadeira Religião, e seus escritos sobre a graça, é possível entender uma crítica ao afastamento do homem de Deus. O Mal, a partir do entendimento de Agostinho, busca desviar o desejo do homem de Deus para os bens temporâneos, seja a materialidade, o conhecimento presunçoso ou o orgulho do poder. A possibilidade de Jesus de Nazaré resistir aos impulsos presentes na condição humana denota seu caráter divino e sua relação única com Deus, revelando os dramas do Mal na condição humana.

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O Mal inefável de Emmanuel Levinas

Doutoranda Maria Angélica Santana

O mal é a parte inconsciente da ideologia de uma sociedade, conjunto de sentimentos, juízos e atitudes que acarretam e justificam a discriminação, a divisão, a segregação e a exploração de um grupo por outro. O perigoso é a malignidade deste mal e a violência baseada no desprezo pelo outro e no poder para causa-lhe danos. O mal não é, pois, uma questão abstrata, metafísica, tema da moda, como alguns pretendem fazer crer. O mal está aí, na forma violenta das nossas sociedades.

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Darwinismo à sombra da “noite coletiva e cultural”

Ms. Hugo Marcelo Ribeiro Barbosa

“A Torre de Babel” de Michael Oakeshott descreve o pragmatismo de uma sociedade que se legitima, e se estrutura, ao redor do desejo de chegar ao paraíso. O homem moderno, apesar de comemorar sua liberdade pós-adâmica, anseia a retomada do jardim do Édem. O maior obstáculo para a construção do paraíso, pensado como um mundo perfeito, sem dor ou sofrimento, são os limites impostos por uma ética transcendente, baseada na revelação de um Deus-amor. Inicia-se um processo lento e gradativo de desconstrução de “Deus”, valendo-se da racionalidade humana. Estes são os pressupostos da simbiose estabelecida entre o ateísmo, na sua reedição mais virulenta – “o novo ateísmo” – e o Darwinismo, entendido não apenas como teoria científica, mas como sistema epistêmico. Tento interpretar esse fenômeno à luz do pensamento místico de Chiara Lubich, a “Noite Coletiva e Cultural”.

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O Mal na obra de Machado de Assis – Cristianismo versus condição humana

Doutoranda Viviane Cândido

A obra de Machado de Assis, marcada pelo ambiente cristão, reflete, na visão de mundo muitas vezes humorada de seus personagens, a tensão entre a instituição religiosa e a correlata idéia do bem intrínseco e da condição humana, portadora do mal. Esta exposição tratará dessa tensão em duas de suas obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas e no conto A Igreja do Diabo.

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O conhecimento do Bem e do Mal

Nas profundezas da Alma

Doutorando Andrei Venturini Martins

Desejo aprofundar a relação da vontade e o mal em Santo Agostinho. O amor é a mola mestra da vontade, todavia, é para onde tal amor se direciona que encontramos o Mal na concepção do bispo de Hipona. A vontade tende a absolutizar seu objeto amado: na descrição da ação da vontade encontramos o mal que permeia a condição humana depois do pecado.

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O Bem e o Mal na ética de Dietrich Bonhoeffer

Mestrando Roberto Pereira Miguel

Para a ética cristã, o conhecimento do Bem e do Mal é fruto da separação do ser humano em relação à sua origem: Deus. Na realidade dessa cisão, na qual o ser humano se entende como origem do bem e do mal, determinar ou julgar aquilo que é bom ou mau, mediante quaisquer leis ou princípios gerados em nossa própria consciência, é posicionar-se sempre como deus e contra Deus. É propósito desta apresentação abordar a reflexão de Dietrich Bonhoeffer a respeito deste tema, a partir de sua obra intitulada Ética.

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Existe o Bem possível?

A tragédia grega e a questão do Mal

Doutoranda Ana Cláudia Patitucci

A comunicação pretende apresentar aspectos contidos na tragédia grega que possam contribuir para pensarmos a questão do mal na condição humana.

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Mal e liberdade em Kierkegaard e Berdiaev

Drª Maria Cristina Guarnieri

Em Soren Kierkegaard e Nicholas Berdiaeff, o problema da distinção entre o Bem e o Mal é precedido por outro problema: o da liberdade divina e da liberdade humana. Nesse sentido, a questão do Mal estaria ligada não só ao conceito de liberdade como também ao problema de Deus. O Mal, visto por Kierkegaard, é infinito e o Bem, finito, o que, por conseqüência, acarreta a necessidade de repetição constante das ações positivas num esforço para combatê-lo. Em Berdiaeff, ao priorizarmos a existência, fundada na relação entre a liberdade de Deus e a liberdade do homem, teremos um entendimento tanto do mal como do bem como algo existente e não pensado pelo indivíduo. Se, como norma ética, pensarmos a vida como bem supremo e como último valor, estaremos entendendo que o Bem significa levar a vida ao máximo e o Mal significa tudo aquilo que diminui a vida e a conduz à morte ou ao não-ser. O pensador religioso aqui entende que o mal está identificado com o próprio indivíduo, por uma suposição ontológica: tanto Kierkegaard como Berdiaeff estão trabalhando a partir de uma antropologia – que será o objeto desta reflexão – que fala de um ser humano insuficiente, que se reconhece relativo, diante do Absoluto.

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O Mal na estética da Queda em Dostoiévski

Ms Jacqueline Sakamoto

Para Dostoievski, o Mal tem estatuto ontológico e está preso ao homem na afirmação orgulhosa de si mesmo, no egoísmo e no parasitismo levado até suas últimas conseqüências. Acompanhamos em suas obras o movimento do orgulho como oposição polarizada da humildade; e que se encontra atrás da Queda, atrás da escolha humana pela autonomia. Para o autor, quando o homem proclama sua autonomia, torna-se um impostor que busca nomear ou definir a si mesmo e o mundo, partindo de abstrações desconectadas com a vida, e acaba por levar à auto-destruição e à destruição do mundo.

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O anti-procriacionismo como crítica antropológica radical em Emil Cioran

MS Rodrigo Inácio

O filósofo romeno Emil Cioran manifesta um pessimismo antropológico feroz, derivado da sua visão do homem como um animal “demoníaco”, concepção que se funda numa idéia religiosa: o pecado original. Este é afirmado por Cioran, sem a fé, em bases puramente filosóficas, como uma verdade antropológica inegável. Segundo o autor, o ser humano se distingue da natureza, entre outras razões, por sua inclinação – consciente e volitiva – ao mal. Relacionado a esta concepção está também o seu horror ao casamento e à progenitura, que ele condena a partir de uma perspectiva gnóstica. Por fim, uma crítica antropológica contundente deveria levar-nos, segundo Cioran, a pensar o problema na sua raiz: a presença (central) do homem na Criação.

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